• melody erlea

a moda assassina em branca de neve



cês gostaram tanto dos entrelaces de moda, morte e literatura ontem que hoje voltei com mais um gostinho - e dessa vez, ao invés de literatura do romantismo italiano, vamos pra algo mais familiar: os contos de fada.


muito do que nós sabemos sobre contos de fada vem da criação-disney da nossa infância, mas a essa altura do campeonato a gente já ta ligado que as animações da disney pegam bem leve em suas adaptações - as versões dos irmãos grimm são mega sangrentas, as do christian andersen são tristes que só.


Trina Schart Hyman 1974


mas pega essa; cê sabia que na versão de branca de neve dos irmãos grimm, a madastra má disfarçada não oferece uma maçã envenenada, e sim aparece vestida de vendedora ambulante de bugigangas fashion pra atrair a vaidade feminina da princesa, que compra um corset com fitas de seda. a velha se oferece pra ajudá-la a amarrar o corset, e aperta aperta aperta até a branca de neve não conseguir mais respirar e desmaiar.



os anões chegam, desamarram o corset, e aos poucos a moça volta à vida. p da vida, a madastra tenta de novo - dessa vez, da sua sacola de apetrechos da moda, tira um pente, e antes de fechar a venda o testa no cabelo da princesa. o pente tá envenenado, o próximo assim do couro cabeludo faz efeito imediato.


mais uma vez os anões a resgatam, e é só na terceira tentativa que a bruxa decidi usar a maçã, pra colocar o veneno dentro do corpo da menina e não ter erro.


agora pensa comigo: pra ela escolher roupas e acessórios de cabelo ANTES de um alimento, alguma razão tem que ter. a real é que as roupas ficam tão próximas do nosso corpo e são tão parte de nossa rotina que são o método mais eficaz de envenenar alguém - ainda mais se esse alguém for uma jovem princesa ingênua e vaidosa, que se encantaria facilmente pelos trecos fashion à venda.



ou seja, grande parte desse conto é sobre os perigos de ser uma cabeça de vento com um triste cérebro de menina que se deixa levar pelo brilho dos interesses vãos femininos a ponto de se deixar enganar e assassinar.


(mas esse é só meu jeitinho amargo de interpretar)

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