• melody erlea

a verdadeira história do casaco da penny lane



sabe o casaco da penny lane? pois desde 2001 e meus ternos 13 anos que eu sonho em ter um pra chamar de meu e, finalmente, 21 anos depois, eu consegui botar as mãozinhas num modelo original dos anos 70, que garimpei no @studiosincronario graças a uma seguidora que me avisou!


claro que o meu não é idêntico - o do filme quase famosos, em seu verde escuro e gola creme, assinatura de estilo da personagem penny lane, interpretada por kate hudson, é um modelo desenhado pela figurinista betsy heimann (que também criou o figurino de uma thurman em pulp fuction), inspirada num casaco que shirley mclaine usa em "se meu apartamento falasse".



o casaco de penny lane, assim como o de mclaine, tem um caimento e textura que remetem aos anos 20, e heimann adicionou um babado na barra pra que ele tivesse um certo movimento nas telas. combinado com essa estética de casaco de ópera está uma das mais

fortes tendências boho do fim dos anos 60 e anos 70, o casaco afegão. isso tudo enrolado naquela estética dos anos 2000, que também trazia como uma de suas tendência uma releitura do casaco afegão (a própria bitney spears tinha alguns modelos diferentes que usou bastante). anos 20 com anos 70 com y2k: não é à toa que o casaco da penny lane ficou marcado pra sempre na cultura pop.


a própria penny lane, diz a figurinista, não foi pensada como uma personagem que consome vintage - e sim como alguém adepta do faça-você-mesmo, do artesanal e de pechinchas, a fazendo uma participante da estética boho-hippie que emprestava tanto das tradições folk norte-americanas quanto dos orientalismos em voga na época. o casaco afegão era parte dessa tendência, numa época em que o país era destino comum para viajantes dos estados unidos e europa em busca de experiências diferentes, contato com outras culturas e encontro com espiritualidade.



os casacos eram típicos da região, feitos de couro de cabra ou carneiro, com a própria pelo do animal como forro. os homens curavam o couro e as mulheres bordavam as peças com motivos intricados, abstratos ou florais. começaram a ser trazidos pro ocidente por turistas, e rapidamente por lojistas - que os compravam a custos baixíssimos e podiam vender a preços acessíveis em lojas focadas em moda jovem em londres e nova york. um dos primeiros a vender os casacos em londres foi craig sams, dono da loja granny takes a trip - da onde os beatles saíram vestindo jaquetas afegãs em 1968, oficializando a tendência e fazendo do casaco afegão um dos itens mais procurados por jovens hippies.


beatles com seus casacos afegãos do lado avesso

com o aumento da demanda, países vizinhos ao afeganistão começaram a fabricar cópias, feitas de couro de menor qualidade, que ficaram famosos pelo seu odor característico, reafirmando a fama dos hippies como pessoas sujas. em alguns anos, versões dos casacos afegãos em lã, poliéster e pelúcia também passaram a ser fabricados em sweatshops pela europa e américa - e acho que é dessa leva que vem o meu, que é de lã com a gola e os punhos em pelúcia, com uma etiqueta em inglês.


no ápice da tendência versões do casaco afegão apareceram na vogue e harpers bazaar, o item recebeu uma reportagem inteira na revista life e o fotógrafo fred j. maroon foi até o afeganistão fazer um ensaio de moda inteiro por lá, recheado de fotos deslumbrantes, das quais a mais famosa é de uma modelo usando um casaco afegão que o fotógrafo comprou por lá mesmo, numa feira, por menos de 30 dólares.



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