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  • melody erlea

as t-shirts de janja: estilo para aproximar o governo do povo



tá rodando pelos perfis de moda da interwebs o look de janja para posse de lula: de branco, como já apareceu outras vezes, inclusive quando foi votar - uma referência às sufragistas, provavelmente, como já fez tantas vezes alexandria ocasio-cortez -, vestindo helô rocha, a mesma estilista slow fashion brasileira que fez seu vestido de casamento, em parceira com as bordadeiras de timbaúba.



janja sabe bem o poder da moda: dá preferência à moda local, fortalece o trabalho artesanal e manual tradicional do nosso país, e, aproxima a ideia de primeira-dama do povo através de suas escolhas de vestuário.


ela não é a primeira mulher que entende que é possível sobreviver, na política, com mais do que terninhos monocromáticos e acessórios discretos. se houve uma época em que mulheres precisavam se conformar a um ambiente considerado masculino e tornar sua imagem imune a comentários misóginos em relação a vestimentas, hoje o debate quanto à pluralidade dos talentos e inteligências femininos vem aliados a um profundo conhecimento, adquirido através de décadas de condicionamento fashion, de como manipular nossa apresentação pessoal através de nossas roupas.


a já mencionada alexandria ocasio-cortez, congressista americana, também se apropria de signos culturais como os brincos de argola e o batom vermelho, trazendo-os para dentro do conservador congresso norte-americano - é a maneira que ela achou de deixar claro que latinas também pertencem àquele lugar. kamala harris ficou conhecida por usar all star, assegurando para milhares de mulheres que é permitido estar confortável e ser profissionalmente foda. e a congressista cory bush compartilhou em suas redes sociais sua busca em brechós e bazares por um guarda-roupa adequado à sua nova posição, mostrando que um armário maduro e profissional pode ser financeiramente acessível - e que não há problema ou vergonha em consumir de segunda mão. a própria princesa diana, lá nos anos 1980 e 90, já tava quebrando paradigmas nesse quesito.



estamos assistindo uma geração de novas mulheres que entende a relevância de seu estilo pessoal como parte de sua afirmação política - e janja está entre elas. janja faz questão de só ser vestida por marcas nacionais, e quer roupas que tenham história - possivelmente porque ela tem toda a intenção de fazer história vestindo essas roupas.


ela já afirmou em mais de uma ocasião que quer repaginar como as pessoas enxergam a primeira-dama, e pediu para não ser chamada por essa nomenclatura. "janja tá bom". ao ver todas as secretárias em uma reunião calçando salto alto, apontou para os próprios pés, vestidos de tênis esportivos, e exclamou: está instaurada a democracia do tênis! é ou não é a influencer que esse país precisava?


e eu amo a preferência absoluta pelo uso de estilistas nacionais, amo o uso do branco, os calçados confortáveis, a escolha por tecidos naturais e marcas sustentáveis... mas, sendo eu quem sou, o que eu amo MESMO são as camisetas.


pra mim, não há demonstração maior de pessoa que consegue se levar pouco a sério enquanto figura de autoridade/poder, enquanto compreende a enorme seriedade do trabalho que tem pela frente. por mais casual que seja o item, a escolha de cada camiseta é especial, tem motivo, tá ali comunicando algo.



tem as t-shirts que estampam lula como figuras da cultura pop - que demonstram que janja compreende profundamente a multiplicidade semiótica de lula, que escancara as paredes da política e se torna uma figura pop, um ícone cultural, uma imagem que representa um estado de espírito do brasil. praticamente uma carmem miranda da política, sabe?



tem as t-shirts que representam causas que ela defenderá pelos próximos quatro anos, como a da campanha "faça bonito" para a proteção de crianças e adolescentes contra violência sexual.



e tem toda uma diversidade de outras estampas, sempre com um toquinho autêntico, sempre com uma mensagem, às vezes discreta outras vezes nem tanto, e sempre sempre sempre aproximando todos nós dessa figura que poderia parecer tão distante mas, olha só, ela usa camiseta, tênis, paetê, terninho, calça jeans, e continua sendo a mulher mais importante do nosso país; inteligente, carismática, politizada, e, acima de tudo, uma mulher brasileira de camiseta. como eu. e todas as outras.

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