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Barbiecore: o pink da nova era

[texto publicado originalmente na press pass]

A ansiedade pelo novo filme da Barbie, estreando Margot Robbie e com lançamento previsto para 20 de julho, não é à toa: há quase um ano vemos a chamada tendência Barbiecore se espalhar pelas redes sociais, pelas passarelas e pelas ruas, colorindo espaços diversos em tons de cor-de-rosa.


E a tendência não parece dar sinais de adeus. A Maison Valentino marcou o ano com sua Pink Collection, no desfile de Outono/Inverno 22/23, e até a cor do ano 2023 da Pantone é Viva Magenta 18-1750, uma matiz da cor rosa.


No mundo pop, a cor não é novidade: em 2004 rosa ficou eternizada pelo filme Meninas Malvadas como o tom que se veste às quartas-feiras; e em 2001 o filme Legalmente Loira trouxe o cor-de-rosa e toda a feminilidade associada a um patamar de relevância e empoderamento que não se via há tempos.


A verdade é que a ideia de rosa como uma cor exageradamente (e, por vezes, negativamente) feminina é menos antiga do que imaginamos: até o início do século XIX rosa era uma cor considerada viril, e se popularizou como “cor de menina” primeiro nas roupas infantis na década de 1920. Nos anos 1950 foi Dior que transformou a cor em definitivo sinônimo de feminilidade com seu New Look.


Mas a cor passou por revoluções: Elsa Schiaparelli havia criado nos anos 1930 um novo tom que ela nomeou “rosa choque” - uma cor “intensa, impossível e cheia de vida”, de acordo com a estilista, e uma ideia bem distante da dona de casa dócil vestindo rosa pastel proposta por Dior quase 20 anos depois.


É esse rosa - pink, chocante, intenso - que de tempos em tempos ajuda a repaginar a ideia do feminino na mídia e na cultura pop: do movimento Riot grrrl à bandeira do orgulho bissexual, a cor está lá, acompanhando novas maneiras de representar feminilidade, gênero e sexualidade.


E talvez seja por isso que estejamos tão ansiosos para o novo filme da Barbie: a Barbie da nova era - e todo o rosa que vem com ela - precisa acompanhar o zeitgeist, e soa imperdível assistir uma representação feminina clássica criar nova vida e significância.

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