• melody erlea

blood orgy of the leather girls, o obscuro filme feminista de exploitation

só quem viu o napster nascer, teve o kazaa como melhor amigo e até hoje confia no soulseek pra achar aquela preciosidade pra entender o que eu senti ao finalmente conseguir assistir ao filme que demorou 6 meses pra baixar, blood orgy of the leather girls.

filme de 1988 que eu nem sei como descobri, blood orgy of the leather girls é tudo que eu poderia querer em 1 hora e meia de história - garotas de jaqueta de couro, um rockinho barulhento tocando, um pouco de non sense, um pouco de exploitation e gore, e uma história de crimes hediondos cometidos por um grupo unido de amigas contra os males do hómi lixo.


na verdade verdadeira, é um filme sobre amizade: 3 adolescentes bebendo cerveja no meio do mato, ouvindo música juntas, passeando de carro e cabulando aula. tudo isso intercalado por tortura e assassinato de homens que, vamo combinar, provavelmente mereceram.



a premissa é justamente essa: as amigas saem por aí caçando homem pra torturar, pra fazê-los pagar por todos os males que infligiram a mulheres. não que esses homens em específico tenham necessariamente cometido algum crime contra mulheres - ser homem já é crime o suficiente.


essa violência feminista extrema e sem justificativa era obra da roteirista e diretora meredith lucas, uma pioneira no gênero exploitation - gênero cinematográfico dominado por homens, no qual a violência gratuita, gráfica e caricata é comum, mas normalmente com mulheres como vítimas, não perpetuadoras. meredith investiu todas suas economias na produção do filme, e não conseguiu distribui-lo ou lançá-lo oficialmente. falida e em depressão, cometeu suicídio pouco depois. seu irmão, michael lucas, lançou o filme postumamente em vhs.



essa é a história que a gente encontra ao começar a pesquisar sobre esse esquisito e obscuro filme. mas a verdade é outra: meredith nunca existiu, e o criador dessa bizarra e divertida obra audiovisual é o próprio michael - que achou que o filme seria levado mais a sério como pequeno manifesto feminista-gore se levasse o nome de uma mulher. ele chegou a contratar uma amiga pra se passar por meredith em estréias e entrevistas, mas quando percebeu que não ia conseguir emplacar o filme no circuito de exploitation nem no de arte - e, portanto, meredith lucas jamais seria chamada pra entrevistas - ele a matou pra acabar o assunto por ali mesmo.


essa não é a única curiosidade interessante do filme: a primorosa trilha sonora é recheada de garage rock californiano dos anos 80, e não à toa: michael lucas era participante ativo da cena musical da california, tinha duas bandas de garage rock (que existem até hoje) e é amigo pessoal dos caras do mummies, uma banda que eu amo demais. a trilha do filme também tem roquices barulhentas dos anos 60, doo wops gostosinhos, uma pitada de punk... uma mistureba deliciosa e impossível de dar errado.

além da presença ilustre de uma jovem dale soules (a frieda, de orange is the new black), o roteiro é cheio de surpresas, de humor, de momentos diferentes - e não vamos nos esquecer da tortura gratuita de homem, claro.


mas eu tenho a impressão que o pessoal fazendo jovens bruxas em 1996 teve um encontro especial pra assistir bloog orgy of the leather girls - não apenas o conceito da "gang de meninas" que são de alguma maneira marginais à sua comunidade, esteticamente me parece que algumas cenas foram diretamente inspiradas.


pega as leather girls no meio do mato, de roupitcha dark estilosa, numa pequena girl-meeting pra decidir que crimes cometer, e pega as jovens bruxas no meio do mato, mesma pegada fashion-dark, com magia e wicca ao invés de cerveja e tortura.

e a cena deliciosa das leather girls passeando de carro, fumando cigarros e trocando ideia e procurando homem pra matar.... é igualzinha a cena das jovens bruxas andando de carro, fumando cigarros, trocando ideia e trasnsformando farois vermelhos em farois verdes.

cada geração de gang de meninas com o crime que lhes apetece, mas os luquinhos nunca falham.



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