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deus, essa juventude moderna! a moda de mary quant


DEUS, ESSA JUVENTUDE MODERNA! era essa expressão de choque que uma jovem mary quant ouvia, nos anos 1950, quando andava pelas ruas com seu marido, os dois em looks igualmente absurdos para os gostos gerais da época: ele de camisas shantung chinesas e calças cigarrete, justas e curtas, que emprestava da mãe, ela com uma curtíssima saia de xadrez gingham e meias 3/4 com sandálias.


foi com o marido que, em 1955 mary quant abriu sua primeira boutique em londres, a chamada bazaar, na baladíssima king’s road - a mesma rua onde vivienne westwood abriria sua loja uma década depois pra causar ainda outra revolução fashion à frente do movimento punk.


mas nos anos 1960 king’s road ainda era frequentada pelos bohêmios, artistas e fashionistas da época, e mary quant deu a sorte de ser uma mente criativa jovem no epicentro de uma revolução cultural acontecendo nas mãos, precisamente, dos jovens. junto aos movimentos musicais, o rock 'n' roll, a british invasion, a cena mod e o revival da estética dandy e dos teddy boys, mary quant teve participação fundamental na mudança cultural, musical e fashion acontecendo na chamada swinging london.

a minissaia, que ela usava desde os anos 50, não pode ter sua invenção atribuída a ela: as bainhas das saias vinham diminuindo desde a 2a guerra, pra acompanhar as crises econômicas e a necessidade de baratear manufatura e preço final de basicamente tudo, e figuras vanguardistas da arte e da moda já indicavam que joelhos e coxas de fora era um dos grandes sinais da nova era.


aqui no brasil, em 1956, flávio de carvalho desfilou seu new look - uma minissaia para homens - e em 1960, dizem as lendas da televisão brasileira, elis regina apareceu ao vivo na tv com uma saia curtíssima, que o clodovil tinha mandado soltar a barra e deixar mais comprida, mas a costureira entendeu errado e deixou ainda mais curta. e na europa, courreges, pierre cardin e paco rabanne, pioneiros da moda space age, também já apresentavam vestidos de comprimento mini.



mas foi mary quant que popularizou e acessibilizou a tendência, transformando o vestido tubinho de pernas de fora e golinha no icônico “chelsea look” - o visual da jovem moderna e descolada do bairro de chelsea, em londres, onde estavam os mais badalados barzinhos, clubes noturnos e points dos xófens. se você queria ver e ser vista, você tinha que estar afiada no chelsea look.


com o princípio básico de que ninguém mais queria se vestir como os pais, mary quant propôs uma moda colorida, chamativa, e financeiramente acessível pro jovem trabalhador. se a gente, em 2023, se veste dessa maneira casual e jovial, é porque mary quant tava lá em londres, nos anos 60, colaborando com essa mudança criativa de paradigma que colocou a cultura, as tendências e as escolhas nas mãos da juventude. era, inclusive, porta-voz da moda rápida, barata e descartável, sendo uma das 1as grandes estilistas a pensar no conceito de fast fahion (só posso esperar que ela tenha visto o estrago de gigantes como shein e repensado esse posicionamento tantas décadas depois).



mary quant vestiu twiggy, audrey hepburn, brigitte bardot, pattie boyd, os rolling stones, e marcou seu nome na construção de uma moda pós 2a guerra. faleceu hoje, mas seu legado segue vivo, nas roupas que usamos todos os dias.

1 comentário

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1 Comment


Guest
Apr 13, 2023

Que maravilha de texto! Quero navegar com calma nos links que você disponibilizou. Quantos aspectos importantes conectados. Adorei a referência ao Flávio de Carvalho! Sou apaixonada por essa moda 1960, urbana, de elegância divertida. Obrigada!


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