• melody erlea

garimpando tesouros: de moschino a margiela

colaboração com rafa nunes, da assinatura de estilo

não é novidade pra quem me acompanha faz tempo que meu sonho de consumo (desses sonhos absurdos de coisas que custam muito mais dinheiro do que a gente jamais terá na conta de uma vez só) é um par de botas tabi da margiela.


eu nunca achei que sequer enconstaria num par de sapatos margiela, que dirá um par de botas tabi. mas quem tem amigos tem tudo e a querida stella me mandou um link um dia, assim de bobeira, de um sapato tabi margiela à venda no brechó gringo beacon's closet. tava num preço muito bom, considerando a marca, mas eu segurei os dedinhos consumistas - preço bom considerando a marca não significa necessariamente dentro do meu orçamento.


fiz bem em esperar: rolou uma liquidação, os sapatos entraram em promoção, o preço caiu, eu aproveitei a chance. meu primeiro sapato tabi margiela!!!!!! a emoção é enorme, e me faz ter esperança de que um dia talvez eu consiga realizar meu sonho da bota tabi própria. de passinho em passinho, sem pressa, prestando muita atenção nos achados de segunda mão por aí (porque eu não sou nem louca de achar que vou comprar um nova)!


garimpo é uma coisa doida - a gente às vezes é surpreendida pelo acaso, e outras vezes deseja e planeja ter algo por meses, até anos, antes de finalmente encontrar num brechó, num bazar, em algum canto da internet. como a internet não conecta só garimpeiras com garimpos, e também com outras garimpeiras, chamei a rafa, da assinatura de estilo, pra se juntar a mim em contar nossa história como amantes de brechós e compartilhar alguns dos nossos garimpos mais preciosos!


vem com a gente!


rafa

meu primeiro contato com um brechó foi na feirinha da benedito calixto, durante uma viagem aqui em são paulo. naquele dia – há uns 15 anos (ou mais) – comprei um vestido vintage da moschino por um preço que não paga nem um na c&a hoje em dia. nesse dia eu entendi que, pra mim, não fazia diferença nenhuma se a peça era uma novidade nas lojas ou algo de muitas décadas atrás. o que importa é a sensação de amor à primeira vista, e a certeza de que a peça é “a minha cara”. desde então, o meu tesão por garimpar peças de segunda mão só cresceu, e com a possibilidade de fazer compras online, ficou ainda mais fácil encontrar coisas únicas pra fazer parte do meu acervo sem criar um rombo na minha conta bancária.


mel

eu sempre fui obcecada por roupa velha, e antes de sequer saber o que era brechó já me aventurava pelos armários da minha vó de da minha mãe. meu sonho era morar numa casa de filme, com um sótão cheio de velharia pra explorar. tentando me convencer que eu tava doida, minha mãe me levou num brechó - ela achou que ia me traumatizar pra sempre, mas o efeito foi o contrário: eu me apaixonei sem volta.


rafa

das minhas compras mais queridas, talvez a mais especial delas seja o meu vestido de casamento, que encontrei numa noite insone fuçando no enjoei. eu já tinha o modelo “aspen” da jenny packham separado há anos na minha pasta de referências para vestidos de festa em uma versão colorida que foi usada por kate middleton. ali estava ele, meu vestido de “princesa”: lindo, leve, exatamente como eu queria e por um preço amigável - até porque, convenhamos, encontrar um vestido de noiva como ele para alugar lá em Fortaleza (onde eu morava na época) seria quase impossível ou custaria uma “pequena” fortuna. combinei com a vendedora que faria a compra e viria pegar o vestido numa viagem já programada para são paulo no mês seguinte. e como as fotos provam… ele foi O escolhido!


mel

eu nunca casei, hahaha, mas também tenho histórias de encontros incríveis com peças de roupa dos sonhos! as leitoras que tão aqui desde o início sabem que eu comecei o blog como um desafio pessoal - um ano sem consumir supérfluos e repetindo minhas roupas semanalmente. quando o desafio acabou, eu segui meu compromisso de só comprar roupa de segunda mão - e meu primeiro achado, completamente sem querer, foi uma jaqueta vintage da vivienne westwood, coleção de 1994/95. foi a 1a feira de brechó a qual eu fui depois de um ano, e eu vi a estampa xadrez de looonge e já decidi que queria - mas escolhi ter paciência e fui olhando stand por stand. quando cheguei na jaqueta, vi a etiqueta e experimentei, eu sabia: um grande amor tinha me encontrado.


rafa

outras duas compras mais recentes que fizeram meus olhos brilharem são botas brancas de couro da paula torres, e um tricô bordado da kenzo. sobre as botas, acho que posso dizer que essa foi a compra mais pensada que já fiz na vida: pesquisei modelos por meses, guardei vários diferentes nos carrinhos online e segurei o dedo e o cartão até ter muita certeza que não seria só um crush de balada, mas um relacionamento duradouro. já o tricô estampado e com bordado de tigre, de uma coleção de 2012 da Kenzo, foi uma compra imediata. eu me apaixonei pelas peças da coleção na época em elas foram lançadas, e (confesso) cheguei a ter uma imitação na versão t-shirt e que acabou “falecendo”, para a minha tristeza, depois de alguns usos. quando o tricô apareceu à venda numa lojinha enquanto eu procurava botas, deixei de lado o foco inicial e arrematei.


arrependimentos? nenhum. do ano do vestido da moschino pra cá, eu perdi a conta de quantas peças de segunda mão comprei ou herdei de amigas e parentes. assim como várias outras peças garimpadas que tenho por aqui, eu talvez nunca tivesse grana pra comprar a maioria delas direto da loja, mas com os valores bem mais amigáveis de brechó, hoje elas tão passeando comigo por aí. e é por isso que brechós e compras de segunda mão tem espaço especial garantido no meu coração de “fashionista que não é herdeira”, e faço questão de espalhar a palavra e incentivar clientes que nunca experimentaram a diversão que é garimpar uns tesouros por aí.


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