• melody erlea

jawbreaker: humor negro, mean girls, tudo que a gente ama



darren stein, diretor da comédia de humor negro jawbreaker, de 1999, não nega que sua grande referência foi outra comédia de humor negro sobre mean girls de uma escola norte-americana: heathers, de 1990.


a meu ver, heathers criou duas tradições: na primeira, a gente tem inocentes retratos de uma adolescência privilegiada, como patricinhas de beverly hills, meninas malvadas, 10 coisas que odeio em você e as apimentadas. a gente pode dizer que se eles são filmes filhos de heathers, herdando principalmente a estética e os arquétipos adolescentes, são netos de clássicos da década de 1980, como grease, curtindo a vida adoidado e clube dos 5 - filmes com uma visão doce, ainda que engraçada, sobre a vida em colégio norte-americano.


muito antes de regina george

a segunda tradição também bebe da estética de heathers, mas tem como descendente principal o sangrento carrie a estranha, de 1976, dirigido por brian de palma.


esse tipo de filme tem uma pegada mais sombria, uma visão mais sarcástica e cínica da vida adolescente. a gente põe nesse grupo filmes como heathers, com seus múltiplos assassinatos e bomba no ginásio na noite do baile, segundas intenções e a sexualidade vingativa dos adolescentes ricos e entediados e, claro, jawbreaker. com suas roupas em cores coordenadas e o brutal assassinato da menina mais popular da escola.


nenhum deles são filmes de terror, mas poderiam ser. não são filmes policiais, mas podiam ser também. o que faz desses filmes um gênero completamente alheio - apesar dos assassinatos, do sangue, da violência e do suspense - é a perspectiva adolescente, o que os transforma também num compêndio sobre a superficialidade dos anos de colegial.


vale lembrar que esses filmes são todos sobre gente muito rica - a aluna pobre da escola sempre se destaca por ser, bom, pobre (uma dinâmica que funciona tão bem que gossip girl teve 7 temporadas e agora virou uma série nova). e o que esses filmes parecem querer nos dizer é que os ricos são tão horríveis quanto parecem.


jawbreaker começa quando courtney, interpretada por rose mcgowan (noiva do marilyn manson na época), e suas amigas julie e marcie (a darla de buffy!) acidentalmente matam sua quarta melhor amiga - e garota mais popular e amada da escola - no dia de seu aniversário.



courtney, sendo a adolescente privilegiada sem consciência que esperamos que seja, decide que a maneira mais prática de lidar com o assunto é colocá-la em sua cama e fazer parecer um estupro. bem sensível ela, né?


é bem nessa hora que aparece fern, a aluna nerd, feia e pobre, que foi levar a lição de casa da aluna morta - que até então ela achava estar doente em casa. courtney, novamente com toda sua sensibilidade, convence fern a entrar na jogada prometendo a transformar numa garota popular como elas.


popularidade adolescente realmente parece ser a prioridade número um dos norte-americanos, então fern aceita. numa reviravolta meio previsível mas ainda assim bem divertida fern acaba se tornando um grande monstro pior que todas as outras mean girls combinadas.



sim, tem um momento violentamente catártico no baile de formatura, estilo carrie a estranha, que, embora não envolva sangue, permite ao espectadores aquela sensação de satisfação, também catártica, ao ver o vilão sem coração receber o que merece.


e se nada disso te convenceu, rose mcgowan em seus tempos áureos, uma pequena deusa gótica noventista com seu cabelo preto e seu rosto de boneca vintage, só ela já é motivo suficiente pra esse filme existir.



sem contar a incrível aparição da banda punk the donnas como banda do baile de formatura! nesse post aqui tem uma lista de bandas de verdade que aparecem em filmes de comédia adolescente, corre pra ler!

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