• melody erlea

melzinha em paris!

episódio 1 - domingo 10/jul


chegamos em paris brasileiros&tristes, mas rapidamente nos adaptamos 😂


nosso primeiro dia de passeio foi no domingo, então aproveitamos pra andar até o bairro marais, que é bemmm turístico e cheio de lojinhas (de todo tipo, de coisas chiques e caras até souvenires pra turista), restaurantes, barraquinhas e muita muita gente passeando.


eu tava muito empolgada pra rua de brechós, já que recebi MUITAS indicações, mas achei bem decepcionante - brechós lotados, quentes e apertados, com muita coisa feia dos anos 80 e 90, principalmente corta-vento e camisas.


o que tinha de legal - jaquetas de couro e trench coats da burberry - era caro, e absolutamente tudo tava em mal estado. achei uma saia cuja etiqueta diz “made in west germany”, que imagino que seja dos anos 80, por 5 euros. seguirei a procura de brechós raiz e lojas de disco usado (tô louca pra achar uns vinis legais!)


além disso passeamos pela rua do hotel, que tem galerias de arte chiquérrimas e TODAS as grifes, e onde da pra caminhar sem muvuca porque é afastado dos centros mais populares. quase chorei com o vestido de nuvem na vitrine do mcqueen 😭 mas pelo menos trouxe minha calça de nuvens da @tjamaoficial, porque a gente desce pro play com os brinquedos que tem 😂


episódio 2 - segunda 11/jul


começamos o dia caminhando na rua do hotel, que acaba chegando na champs élysée, e ao longo da qual há muitas galerias de arte (muitas MESMO)!


foi numa delas que, atraída pela vitrine que tinha um boombox colorido e um vinil do run dmc, decidi entrar - pra encontrar meu primeiro quadro do keith haring ao vivo e a cores, fora da internet 😭ele é meu artista preferido e até falei pra moça da galeria que eu tava meio ~emotional 🥹 (custava a bagatela de 300 mil euros kkkk)


seguimos a rua até chegar ao arco do triunfo, coisa linda e enorme (tem tanta coisa linda e enorme aqui que faz a gente questionar a própria sanidade - como pode PESSOAS terem feito essas coisas? pessoas, tão pequenas e efêmeras, sabe? não é doido?)


passamos numa livraria onde encontrei um livro da vivienne westwood com fotos de apenas TODOS os desfiles da carreira dela - inclusive um em parceira com ele mesmo, keith haring! meio caro e pesadíssimo, mas sigo pensando nele e capaz de até o fim da viagem eu voltar à loja pra buscá-lo 😂


passeando na champs élisée acabamos encontrando um cara que alugava uma ferrari por meia hora, e no maior estilo YOLO meu pai foi lá e alugou 😂 30 minutos de glamour, pra passar o resto da viagem contando moedinha hahahaah mas como já disseram os roqueiros brasileiros, é preciso saber viver (diz meu pai que sempre soube viver, só não consegue hahahahaahahahah)


episódio 3 - terça 12/jul


pegamos um desses clássicos ônibus turísticos abertos em cima pra dar um rolê pela cidade. depois pegamos metrô pra ir à montmartre, onde meus pais celebraram bodas de casamento com um cadeadinho do amor :3


em montmatre, além de ver a sacre coeur e a vista do resto da cidade lá de cima, entramos no museu do salvador dalí (um de alguns que existem pelo mundo), que me emocionou :~ tinha muitas obras famosas, como os relógios derretidos e ilustrações para alice no país das maravilhas, e também quadros que eu nunca tinha visto ou ouvido falar.


os sentimentos são mistos: é uma honra sem tamanho estar nessa cidade que respeita e valoriza arte, onde há arte em cada esquina, em cada prédio, em cada detalhe da arquitetura, onde há acervos dos maiores artistas da nossa história… e aí lembro de são paulo, a cidade onde nasci e cresci, e na qual vejo tanto potencial frustrado.


cês sabiam que a gente tem uma obra autêntica de dalí em são paulo?


salvador dalí fez muitas colaborações com outros artistas e amava as possibilidades da moda - sua parceria mais famosa na moda é com elsa schiaparelli, a grande estilista surrealista, mas não foi a única.


a partir dos anos 40 ele se juntou a christian dior e criou, entre outros designs, um de 1952 no qual imaginava a mulher de 2045. rola na galeria até a última foto pra ver - na visão de dalí, a mulher do futuro se vestiria assim: com chapéu de antena, um cajado gigante, cabeças de boneca na cintura.


dalí desenhou, dior criou, e o vestido foi desfilado, acredite se quiser, pela christian dior brazil.⠀

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sim! aqui no brasil!

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atualmente essa peça magnífica, um item de moda, arte e história, se encontra guardada no nosso querido @masp.⠀

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guardada, mas infelizmente nunca exposta. é nada mais nada menos que uma obra original de salvador dali, em são paulo, parte do acervo de um dos nossos mais importantes museus.


por que ela não está em exposição? a última vez que li sobre, era porque o masp não tem um departamento de moda. dá ou não dá uma tristeza? imagina quantas riquezas artísticas nossa cidade esconde?


episódio 4 - quarta 13/jul


schiaparelli, a estilista que inventou a cor - e o nome - rosa choque!!


nosso grande compromisso do dia era a exposição da elsa schiaparelli, à qual eu tava doida pra ir desde antes de sair do brasil. elsa é minha estilista histórica favorita, e uma das mais influentes da moda atual, embora seu nome seja pouco conhecido fora das bolhas de quem gosta moda (comparada com coco chanel, por exemplo, que todo mundo sabe quem é)


foi a exposição de moda mais completa que eu já visitei - tinha TODAS as peças importantes dela, e muitas outras que eu não conhecia. mas o mais legal é que o trabalho da estilista era minuciosamente contextualizado através de obras de outros artistas, de paul poiret, seu mentor, considerado criador da alta costura, a salvador dalí, amigo com quem colaborou.


elsa era uma artista surrealista cujo meio de trabalho era roupa, e, além de dalí, fez parcerias com poetas, como jean cocteau, e fotógrafos, como man ray, e criou conceitos e temas na moda que até hoje são reproduzidos (alou, lady gaga)!


nos 3 andares da exibição, havia fotografias, pinturas, bordados, roupas, acessórios e esculturas surrealistas/dadaístas de todos esses artistas que colaboraram, influenciaram ou foram influenciados por schiap.


a roupa que eu mais queria ver era o vestido de lagosta, sua mais famosa colaboração com dalí, mas eu amei e me emocionei em absolutamente cada canto de cada salão.


gostei especialmente de um retrato que picasso fez de sua amiga e poetisa nusch eluard vestindo jaqueta, broches e chapéu de elsa schiaparelli - amei tanto que no dia seguinte fui ao museu do picasso e comprei uma reprodução baratchénha 😅


episódio 5 - quinta 14/jul


se alguém perguntar se eu quis ir ao museu do rodin só pra tirar essa foto na estátua do pensador, eu não confirmarei…. mas também não negarei 😂


o museu está num terreno enorme que costumava ser um hotel, onde dá pra passear pelos jardins, também enormes e cheios de esculturas do rodin. dentro do prédio, que por si só é uma obra de arte, há 2 andares de esculturas e pinturas de rodin, e também de artistas que eram seus amigos e colaboradores, além de alguns quadros de van gogh e renoir. lá eu comprei um anel em formato de mão inspirado pela escultura catedral :3


saímos do rodin em direção ao museu do picasso, porque compramos um ingresso promocional que incluía os dois no mesmo dia, e ao sair do metrô, nas ruazinhas ao redor do museu do picasso, achei meus primeiros brechós raiz de paris! até então só tinha encontrado alguns brechós no bairro do marais, que tavam lotados até a boca e achei bem ruinzinhos.


era feriado aqui na frança e só um deles tava aberto, mas tinha tudo que eu esperava de um brechó em paris: vintage e grifes de 2a mão. a maioria dos itens tava completamente fora do meu orçamento, mas achei os preços bons pro tipo de coisa que encontrei lá.


aí chegamos ao museu do picasso, que tem 3 ou 4 andares - é MUITA coisa! desde seus desenhos e pinturas em estilo mais clássico, do começo de sua carreira, a objetos pessoais como roupas e, juro, unhas 🤢, passando, claro, por muitas pinturas e retratos naquela estética ~picassiana- que ficou tão conhecida.


tinha um andar inteiro dedicado à sua filha mais velha maya, que foi a única que teve um relacionamento próximo com ele até o fim de sua vida. foi maya que doou quase todo o acervo do museu, que incluía também todos os brinquedos que picasso fez pra ela - bonecos de madeira, miniaturas de móveis e objetos de casa, teatros de marionete feitos em papel…. tudo feito com material de sua oficina.


ao fim do dia, celebramos o feriado francês com um jantar de barco no rio sena, de onde deu pra ver até a estátua da liberdade kkkk très chic!


episódio 6 - sexta 15/jul, sábado 16/jul, domingo 17/jul


conforme a viagem avança estamos tendo dias mais tranquilos, menos maratonados de coisas pra ver, conhecer, visitar e fazer.


na sexta fomos à torre eiffel e subimos até o 2o andar (dá pra ir até o topo, que seria o 3o andar, mas tava esgotado quando fomos comprar). fomos de elevador e tô até agora meio chocada que tem gente com preparo físico o suficiente pra ir de escada - embora uma seguidora tenha me dito que nas escadas há placas incentivadoras e vistas que quem sobe do elevador não pode contemplar.


no sábado fizemos um rolê pra agradar gregos e troianos: começamos voltando aos brechós que eu tinha visto, mas não tinha entrado, e foi um passeio muito satisfatório (pelo menos pra mim hehe). depois fomos a uma loja de equipamentos fotográficos pro meu pai olhar, e por fim a umas lojas de roupa que minha mãe queria visitar. à noite fui celebrar o aniversário de uma amiga queria que mora aqui e eu não via há muito tempo!


durante o dia encontrei essa loja de discos da primeira foto, que amei de cara porque tem meu nome :3 lá dentro era surreal: minúsculo e LOTADO de discos, sério, e do pouco que vi só tinha disco bom, não tinha NADA que eu não quisesse comprar. porém nada comprei kkkk até porque eu só olhei bem pouquinho, precisaria de horas pra conseguir ver tudo e selecionar discos que caberiam no meu orçamento.


no domingo fomos ao mercado de pulgas saint ouen, que na verdade é um bairro inteiro com vários mercados de antiguidade, e em cada um dá pra encontrar coisas diferentes. não vimos nem um décimo do que tem lá, é muita coisa mesmo, mas os três saíram satisfeitos: eu finalmente achei discos de vinil que podia comprar, e meus pais também acharam coisinhas que gostaram muito, pra decoração :3


eu juro que vim pra cá determinada a não comprar nada, mas é incrível como o mundo capitalista consegue nos encantar 😂 não sei nem onde vou enfiar as rôpa de brechó e os discos na hora de voltar 💁🏻‍♀️ quem tiver dica de fazer tudo caber na mala, tô aceitando hahaha


episódio 7 - segunda 18/jul e terça 19/jul


iniciamos a semana com o rolê mais clássico possível em paris: museu do louvre!


começamos pela exposição temporária do egito. os sentimentos, como quase sempre é o caso nessa cidade, são mistos: o privilégio de poder ver esses artefatos históricos é uma honra, e que eles estejam tão preservados é uma loucura, mas não paro de pensar nesses tesouros arqueológicos tirados de seu local de origem, pra ir embelezar museu na europa.


não consigo deixar de me perguntar: e se fossem os artefatos do MEU país? é melhor que estejam preservados e expostos num lugar como esse, que tem tanto apreço por história, arte e cultura, ou mantidos no território a que pertencem, supostamente acessíveis pra quem mora no país, ainda que dito país não tenha tradição/infraestrutura/investimento em preservação e divulgação de sua própria arte e história? o que vocês pensam?


depois subimos pros andares do acervo fixo, em busca da monalisa, a obra mais popular do museu todo. eu sei que tem muitos outros quadros e esculturas emocionantes pelo louvre, mas tem umas coisas que a gente simplesmente precisa fazer, porque sabe-se lá quando haverá outra oportunidade.


não passamos por nem um terço do museu, que tem vários andares separados por tipo de arte, época e país de origem, mas conseguimos ver mais coisas egípcias, além de artes gregas, romanas, medievais, e toda a seção das pinturas italianas, que eu amei!


gostei muito de ver uma pintura do manet, que na verdade foi um estudo de uma pintura medieval do italiano tiziano vecellio. hoje a gente chamaria de plágio, mas eu gosto de pensar como o 1o jogo dos 7 erros da história 😂


no dia seguinte pegamos um carro e fomos pra bruges, na bélgica, tentar curtir uma vibe medieval. não deu pra curtir muito porque tava 42 graus, acabou toda a água gelada de todas as lojinhas e todo o gelo de todos os restaurantes, SOCORRO


entrei no museu da tortura, que me levou 9 euros muito mal gastos (era bem pequeno e não muito interessante), mas tinha o ar condicionado mais geladinho e gostoso que pude apreciar na viagem toda kkkkk


episódio final! - quarta 20/jul


esse foi o dia em que fomos a versailles e eu fiz um post inteirinho só pra esse evento!


epílogo - um dia em lisboa


passear por lisboa não estava nos planos, mas na volta pro brasil um dos vôos atrasou, perdemos a conexão em lisboa e tivemos que esperar pelo próximo avião pra são paulo, só no dia seguinte.


apesar de ter sido tão pouco tempo, eu amei lisboa! a cidade é linda, cheia de calor humano, e obviamente me lembrou o brasil.


à noite comemos nos arredores do hotel, e no dia seguinte fomos até a feira da ladra, o mercado de pulgas da cidade, onde gastei meus últimos euros em discos velhos.


depois disso buscamos nossas malas e voltamos ao aeroporto, pra retomar a longa jornada de volta pra casa - onde chegamos bem, embora sem a única mala que despachamos :~


já estou em são paulo e vou aproveitar pra dizer um alou pra todo mundo que chegou por aqui nas últimas semanas! bem vindas :3


em breve volto pra me apresentar e contar a história desse blog, mas por enquanto só vou implorar pra vocês continuarem por aqui agora que voltei pra minha vida real de professorinha

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