• melody erlea

não subestime a calça skinny de cintura alta


a peça de roupa que eu mais uso e que é mais desprezada pelo repete roupa é uma calça jeans skinny de fast fashion.


num guarda-roupa de do início do blog pra cá se tornou 80% de segunda mão, os itens de loja de departamento que sobraram podem ser considerados relíquias: roupas muito boas que seguem durando após muitos anos, ou que sobreviveram às tendências efêmeras e seguem belas, ou que são simplesmente muito confortáveis.

a minha calça jeans skinny parece estar em todas as categorias.


quando a calça skinny saiu de um zeitgeist sartorialista que me parece ter durado uns 10 anos, eu me vi finalmente frente a um leque de opções de diferentes tipos de calça: mais confortáveis, de materiais diferentes, curtas, longas, bocas largas, bocas afuniladas, mom jeans, alfaiataria, todo um cardápio bípede ao qual eu era cega antes. tentei diversos tipos, descobri que definitivamente odeio a tal da pantacourt das muódas (não sem antes gastar dinheiro testando uma ou duas), mas ampliei minhas possibilidades estéticas em relação a esse item de vestuário tão complexo.

não nego a elegância de uma pantalona de cintura bem alta e boca bem larga, nem o conforto de poder conter minha bunda inteira com espaço de sobra num mom jeans, mas pra falar a verdade eu gosto das minhas calças como gosto de ouvir fofoca: em um tom baixinho, com um expressão facial tão sincera que você não pode deixar de acreditar que aquela informação vai, mesmo, mudar sua vida. a pantalona elegante e a mom jeans alternativa simplesmente não funcionam do mesmo jeito.

uma calça skinny de cintura alta tem um poder que poucas outras peças de roupa tem. ela é a saia lápis das calças: sensual, justa, madura quase caindo da árvore. mas é uma calça, e tem toda uma praticidade envolvida que nenhuma outra calça (ou saia lápis) conseguiu me prover.

o skinny jeans de cintura alta tem tudo: a importantíssima cintura alta, pra guardar todo o conteúdo da cintura e barriga bem direitinho sem nada escorrendo pra fora, sem cofrinho aparecendo na hora de sentar, sem botão apertando o ponto exato da minha bexiga que me faz ter vontade de fazer xixi o tempo todo. a modelagem justa, que envolve minha bunda porém não a aumenta, criando uma ilusão de corpo curvilíneo e gostoso, e não de botijão de gás. as pernas afuniladas, que cabem dentro de qualquer bota e ornam com qualquer tênis ou sapato baixo sem acumular pano nos tornozelos. o comprimento que acaba no tornozelo, fazendo com que a barra nunca fique suja de seja lá o que for que existe no chão dos lugares todos. uma calça jeans skinny é um grande abraço pra bundas e pernas.

o meu skinny jeans, a calça em questão, a propulsora dessa reflexão toda, é uma calça azul índigo (que segue sem desbotar depois de muitos anos de uso), que está comigo desde 2011 - foi comprada muito antes do repete roupa existir e de eu rever minha relação com consumo de roupa, mas segue aqui, firme e forte, uma calça da c&a ou da renner, nem a loja eu lembro qual era.

quantas vezes nesses anos todos eu não me vi parada no meu guarda-roupa querendo usar uma blusinha qualquer sem conseguir pensar no que colocar na parte inferior do meu corpo pra acompanhá-la - e é claro que estou atrasada, e com fome, e prester a acionar o botão de alrme DO MUNDO pra avisar que não tenho o que vestir - e acabei saindo com esse jeans. essa é uma calça que já me viu engordar emagrecer engordar emagrecer engordar emagrecer e seguiu cabendo e sendo confortável. essa calça já testemunhou muitas outras, skinnys, boyfriends, cinturas baixas e médias e altas, flares, tantas e tantas calças jeans que chegaram e, claro, não duraram, paixões passageiras, amores breves.

a real é que nos últimos dois anos eu deixei essa calça como a coringa pra visus que eu sabia que não apareceriam no blog. roupa de ir ao mercado, de ir visitar o crush rapidinho num domingo, de trabalhar quando tô com preguiça de pensar em roupa. só voltei a sacar que essa skinny é massa demais quando o crush começou a elogiar os visus com ela, mesmo os menos pensados e mais desmilinguidos. e esses dias olhando o caderninho onde anoto meus looks percebi o quanto essa calça foi usada recentemente e o quão pouco ela parece por aqui.

então taí pra vocês, minha ode à calça jeans skinny e os 5 visus recentes que usei com a minha skinny preferida, que tá meio batida mas são marcas da experiência, né? quando estou mais magrinha ela fica menos skinny, mas sigo amando e sei que quando ganhar uns quilinhos (acontece) ela seguirá cabendo, seguirá confortável, e seguirá abraçando meu bumbum muito amorosamente.