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  • Foto do escritormelody erlea

nada de novo no front: a história de dorothy lawrence



todo dia aqui no @‌repeteroupa é dia de falar de mulher foda, mas hoje vamos com uma história DAQUELAS.


em 1915, a jornalista inglesa dorothy lawrence escreveu para diversa publicações locais se oferecendo como correspondente de guerra. ela queria ir pros fronts franceses e fazer seu nome como a primeira mulher a reportar a guerra. “quero ver o que uma mulher comum, sem credenciais ou dinheiro, consegue alcançar”, dizia a ambiciosa escritora.


a realidade é que os jornais e revistas mal conseguiam acesso aos fronts pros seus jornalistas homens, então é de se esperar que o interesse em mandar uma mulher era inexistente.

tentando todos os recursos disponíveis, dorothy tentou até se voluntariar como enfermeira de guerra, mas não foi aceita, e decidiu ir sozinha até a zona de guerra pra ver no que dava - foi presa pela polícia francesa a 3km do front, quando decidiu que a única maneira de contar sua história seria se disfarçando de homem.



ela conseguiu um uniforme com a ajuda de dois soldados responsáveis pela coleta da lavanderia - um item por noite, até ter o conjunto completo, botas inclusas -, adaptou um corset para que ele achatasse seus seios, encheu os ombros de sua farda com uma ombreira improvisada, cortou o cabelo no estilo militar, conseguiu documentos falsos e se mandou pro front, onde foi auxiliada por dois outros soldados. eles indicaram uma cabana abandonada pra que ela dormisse, e compartilhavam a ração que conseguiam com a jornalista.


dorothy passou 10 dias nas trincheiras, e o stress da situação, aliada ao medo de ser descoberta, a deixou doente. quando ela se entregou, foi interrogada por dias a fio como espiã, até que finalmente foi enviada para casa com a condição de que nunca escrevesse sobre o que havia vivido.


após o fim da guerra, dorothy escreveu suas memórias e as publicou, mas o livro foi altamente censurado pelo governo e não teve o sucesso que a jornalista esperava. sua saúde continuava a declinar e a amargura de ter vivido uma experiência única e ter sido proibida de compartilhar sua história fizeram com que ela não se portasse da maneira apropriada para uma mulher da época. seu comportamento, visto como errático, chamou a atenção das autoridades: dorothy foi diagnosticada como insana e internada num hospital mental.


no fim das contas, por bem ou por mal, dorothy conseguiu contar sua história de guerra: a história de uma entre tantas mulheres que foi silenciada, censurada, abusada e confinada.


ou seja: nada de novo no front.

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