• melody erlea

o despertar queer de lou reed



o ano era 1972 e lou reed tinha dado uma escapada de nova york pra passar uns tempos com david bowie, que havia conhecido um ano antes e cujo alter ego rockstar alienígena, ziggy stardust, estava conquistando o coração de toda juventude alternativa amante de glitter da inglaterra. o próprio lou reed, ao assistir bowie encarnar ziggy no palco pela 1a vez, declarou ter sido a coisa mais incrível que ele já tinha visto.


foi num desses shows que ziggy stardust apresentou lou reed pro público inglês: bowie convidou o amigo ao palco e juntos tocaram alguns hits do velvet underground.


essa estadia de lou na inglaterra foi meio essencial pro seu processo criativo, que tava estagnado nas engrenagens políticas norte-americanas. enquanto ele tava lá, não precisava pensar em guerra do vietnam, na luta por direitos civis, e nem mesmo em sua problemática vida pessoal. com bowie, ele podia apenas aproveitar o hedonismo artístico de londres e fazer música, e foi assim que juntos escreveram transformer, o 2o álbum solo de reed.


sair dos nichos de música punk e cena alternativa de nova york também o abriu a experimentações fashion e a um lado seu mais queer e menos cowboy-poeta cosmopolita - perfeito pra quem estava prestes a lançar um disco que virou uma bíblia róquenrou queer pra juventude lgbt londrina da época.



na capa do disco, lou veste um bolero que angie bowie sugeriu que ele comprasse, da badaladíssima boutique granny takes a trip. keith moon, baterista do who, tinha um igual - só que a do lou reed foi enviada para uma bordadeira, que adicionou as pedrarias e ornamentos pra dar um toque de haute couture.


com o sucesso disco, acompanhou um novo look, todo trabalhado no glam, na maquiagem e na teatralidade. essa persona queer inglesa do lou reed foi apelidade de phantom of rock (o fantasma do rock), título que ele rejeitou completamente ao voltar pra nova york, onde voltou a usar calças jeans e jaquetas de couro e reconstruir sua imagem de poeta do rock. dizia ele que essa coisa de alter ego fez ele se sentir meio que um palhaço, e que não durou nem 3 shows.


(faz sentido se a gente pensar que a coisa toda de alter egos e personagens do bowie veio em grande parte de sua experiência em artes cênicas como mímica e clown)

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