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  • melody erlea

o estilo descartável e revolucionário de poly styrene


sabadêira no repeteroupa e eu queria hoje um post pra gente se inspirar, sair do mainstream, voltar no tempo e achar beleza e diversão no absurdo.


nada mais apropriado, então, que admirar o único, estapafúrdio, político e divertido estilo de poly styrene, líder da banda punk que durou pouco mas influenciou muito, x ray spex.


poly ainda se chamava marianne joan em 1976, quando assistiu a um show que mudou sua vida: eram os sex pistols e sua agressiva e catártica estética e sonoridade. coincidentemente (ou não), foi nesse mesmo ano que joe strummer, na época chamado woody mellor, com sua banda the 101'ers, abriu um show para os sex pistols que também mudou o curso de sua carreira, vida e estilo. eu sei que existe muito hate aos sex pistols por aí, e uma ideia, entre os gatekeepers da cena, de que eles não eram uma banda punk "de verdade"... mas sem eles não haveria clash nem x ray spex, e pra mim isso já é motivo mais do que suficiente para deixá-los ter sua glória em paz.



ao assistir os sex pistols, marienne joan decidiu que faria o mesmo - teria uma banda punk. colocou um anúncio nas revista nme e melody maker procurando por músicos (“YOUNG PUNX WHO WANT TO STICK IT TOGETHER”, dizia o anúncio) e no mesmo ano estava fazendo história como a primeira mulher negra da cena punk londrina, dominada por hómi branco.


além de pioneira na música, ela inovou completamente a estética de uma frontwoman no mundo do rock. ao invés do típico visual agressivo-porém-sexy de colegas como debbie harry e joan jett, poly optou por um estilo que contava uma história e que reivindicava um lugar na música por sua música, e não por ser um sex symbol.



tanto seu estilo quanto seu novo nome - poly styrene, isopor em inglês - provinha dessa ideia de estar vivendo num mundo modernizado e descartável, onde tudo era produzido em massa e rapidamente substituído, inclusive as celebridades. poly usava muito polyester, plástico, brinquedos como acessórios e as chamadas cores conhecidas como "dayglo", que são os tons neons e fluorescentes. a ideia de materiais sintéticos que criavam uma imagem sintética e produzida de quem ela era a atraía, porque a ajudava a criar uma nova realidade, menos entendiante, mais desafiadora.


muito antes de ser poly styrene, marianne já tinha uma lojinha na king's road, próxima da boutique de vivienne westwood, onde vendia roupas usadas, vintage e acessórios feitos de reuso de material que ela chamava de "plastic trash". foi dessa mistura de vintage com plástico que surgiu seu estilo, que carregava uma mensagem, uma ideologia, uma espécie de protesto contra o consumismo desenfreado, contra a produção contínua de coisas e seu impacto ambiental, e isso tudo muito antes de "sustentabilidade" fazer parte do vocabulário das tendências fashion.



poly tinha uma visão que se afastava do que a gente percebe como "o punk tradicional", com alfinetes, couro, e um visual no geral dark e agressivo. ela compunha cada detalhe da estética da banda, dos looks aos pôsteres, o que tornava a x ray spex uma banda única, coesa no seu próprio story-telling e destoante das outras bandas da cena. sua estética, suas letras, sua voz e seu posicionamento foram grandes referências para o movimento riot grrrl e inspiraram gente como kathleen hanna, do bikini kill.


sem contar que uma mulher negra, fora dos padrões, que ativamente se "desembelezava" para assumir seu alter ego rockstar... isso era revolucionário por si só.

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