• melody erlea

o incrível caso das fadas de cottingley



entre 1917 e 1921, uma série de fotografias tiradas pelas irmãs elsie e frances viralizaram nos jornais ao redor do mundo. as foto mostravam as meninas brincando e interagindo com fadas e duendes - e ninguém sabia dizer se elas eram falsas ou reais.



arthur conan doyle O PRÓPRIO escreveu um artigo na revista strand em defesa da veraciade das fotos - e foi só em 1983 que as meninas, então crescidas, admitiram a farsa. as fadas das fotografias eram desenhos em papelão, que elas haviam copiado das ilustrações do livro princess mary's gift book.



essa história foi tamanha sensação que em 1997 o escritor terry jones publicou um livro de fantasia infanto-juvenil inspirado no caso das fadas de cottingley. o livro de fadas prensadas de lady cottington, hoje em dia esgotado e raro, podendo chegar ao valor de r$800 reais em sebos, é um dos meus livros preferidos desde a infância, e eu guardo o meu desde que o ganhei de presente no meu aniversário de 10 anos, em 97.


ele é cheio de peculiaridades, como um esclarecimento da sociedade real de prevenção à crueldade das fadas no início, garantindo que nenhuma fada foi ferida na elaboração da obra, e um prólogo histórico explicando a origem do livro - que é uma reprodução fidedigna do suposto diário de angelica cottington, mantido dos seus 7 aos 24 anos, de 1895 a 1912. angelica registrava sua vida e, também, prensava fadas que encontrava por aí.


eu amo esse livro por tantos motivos!


as ilustrações belíssimas em aquarela; o retrato triste de uma mulher vivendo numa época conservadora, refém de sua própria educação moral e religiosa, tendo que esconder um segredo que seria escandaloso frente às crenças da época; o fato de esse ser um livro infantil sem nenhum tipo de censura moralista (vide a seção final com as fada e duende tudo pelado e também a ausência total de suavização do processo de envelhecimento dessa mulher que se torna ermitã e solitária); e a história que pode ser lida com o olhar infantil da fantasia e também com o olhar adulto: não consigo deixar de pensar que tantas coisas sobre angelica cottington eu só consigo compreender agora, adulta - sua dificuldade em socializar, o peso desse segredo que acaba podando todos os seus relacionamentos e amizades (não há ninguém em que ela pode confiar o suficiente pra compartilhar suas experiências, portanto ninguém com quem ela consegue, verdadeiramente, se conectar), sua escolha em permanecer solteira, seus demônios e conflitos internos...


se quiser saber mais, cola nesse vídeo que fiz:





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