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O Peculiar Rock Psicodélico de Canterbury

[texto publicado originalmente na fresh people]



A década de 1960 na Inglaterra estava culturalmente fervilhando e a chamada Swinging London era o pólo de onde música, moda e cultura jovem eram exportadas para o mundo. Cidades como Manchester e Liverpool – industrializadas, metropolitanas e cheias de jovens trabalhadores querendo se expressar – também eram o berço de cenas musicais e de bandas que se tornaram essenciais na cultura pop.


Parece curioso que numa pitoresca e religiosa cidade no sul do país também estivesse acontecendo uma pequena revolução cultural e musical – completamente diferente da música pop pela qual a Inglaterra ficou conhecida nos anos 60. A cidade de Canterbury é conhecida por sua catedral de mesmo nome e pelo clássico de literatura Tales of Canterbury, de Geoffrey Chaucer, considerado uma das grandes obras-primas da língua inglesa.


Mas na década de 60 foi nessa cidade histórica que surgiu a Canterbury Scene, um movimento de rock psicodélico freestyle, que misturava jazz, pop e prog rock em suas improvisações. Para além da psicodelia experimental, as bandas dessa cena eram bem diversificadas em seus sons – algumas traziam influências do blues, do folk, e até da música clássica; mas todas tinham um quê de humor nas letras e na postura, menos séria do que se costuma relacionar às bandas de rock progressivo.


Considerada o pontapé do movimento, a banda Wilde Flowers, que existiu de 1963 e 1969 com diferentes formações, foi de onde saíram os integrantes de duas das maiores bandas da Canterbury Scene, Soft Machine e Caravan. Com uma grande rotatividade de membros – o que tornava o som cada vez mais único e peculiar – os dois conjuntos eram bem conhecidos na cena psicodélica underground e são até hoje considerados essenciais na história do rock progressivo inglês.


Conforme a década de 1970 se aproximava do fim, muitas bandas das bandas da cena foram se afastando do elemento rock e desenvolvendo uma sonoridade mais experimental e avant-garde, mas Canterbury ficou marcada na história da música pop: a cidade de turismo religioso onde nasceu o braço mais ousado e bem-humorado do rock psicodélico inglês.

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