• melody erlea

melody, o lindo filme de 1971 que originou meu nome


quando meu pai era adolescente ele assistiu no cinema a um filme inglês que o mundo inteiro ignorou menos o brasil e o japão. "melody", de 1971, conta a história de danny, um garoto de 11 anos vivendo seu primeiro amor - por melody, sua colega na escola.

o filme teve tamanho impacto na mente adolescente do meu pai que aqui estou eu, melody, 51 anos depois. e, esse fim de semana, 51 anos depois, eu fiz meus pais sentarem comigo pra assistir "melody", o filme que me nomeou.


cara..... que filme lindo :~

imagina assim: uma londres nos anos 70, vista pelos olhos de uma criança. a vibe é quase uma fantástica fábrica de chocolate (filme do mesmo ano, inclusive, 1971) - é doce, é lúdico, é mágico, e é engraçado e absurdo, às vezes.

só que ao invés de chocolates fanstásticos, é só a vida normal acontecendo, daquele jeito caoticamente previsível da infância - mascando chiclete e puxando com os dedos pra esticar, correndo por matagais e lugares meio abandonados, tentando fazer bombas caseiras ( que nunca funcionam) com latas de ovomaltine, fofocando sobre gostar de alguém, beijando poster do mick jagger (melody e suas amigas tem um enorme que levam pro meio do mato e ficam beijando), tirando sarro de professor chato, comendo algodão doce do parque de diversões, tendo vergonha de dançar no baile da escola...


ao mesmo tempo que o filme traz uma visão tão doce de uma infância que, porra, não existe mais; uma infância pré celulares e redes sociais e streamings, uma infância de adivinhações e confusões; ele também é um retrato fiel de experiências quase universais da infância, não importa a década.

a maneira com que os adultos são mostrados é particularmente hilária - todos são exagerados, caricatos, enfadonhos e previsíveis, e um jantar de casais na casa de danny se torna, em sua experiência, um espetáculo horrível de comida ruim, risadas forçadas e adultos falando sem parar com as bocas cheia de comida.


é nessa atmosfera setentista adocicada que danny conhece melody, por quem se apaixona e ama por uma semana inteirinha antes de pedi-la em casamento. melody fica confusa inicialmente, mas depois embarca na ideia - casar, diz danny, é ficar sempre junto da pessoa preferida. que mal pode haver nisso?


nenhum dos dois consegue entender porque todos os adultos ao seu redor querem boicotar sua felicidade, tentando fazê-los mudar de ideia, então o melhor amigo de danny organiza um grande casamento nos trilhos de trem abandonados - e a turma toda cabula aula pra ir testemunhar o evento.

o final é delicioso, um sonho infantil de liberdade, amor, amizade e cumplicidade, uma vingança catártica contra os adultos em nome de todas as ciranças de todos os tempos, daqueles finais que a gente fecha um punho e diz baixinho "yes" - uma sensação de ter vencido junto com as crianças na tela, de estar compartilhando aquela vitória, sabe?

com uma trilha sonora mágica inteirinha dos bee gees (com exceção de uma música do crosby, still, nash & young), é um filme pra se deixar levar e se permitir ver o mundo pelos olhos infantis de novo. (e uma seguidora me disse que foi uma das inspirações pra moonrise kingdom, do wes anderson!)



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