• melody erlea

o diário de looks de maria antonieta


diane kruger em "adeus, minha rainha", com o gazette des atours de maria antonieta

e se eu te falar que maria antonieta tinha seu próprio instagram de looks do dia (ou pelo menos a coisa mais próxima que dava pra ter em 1782)?????


pensa aqui: como é que maria antonieta escolhia o que ia vestir, tendo salas e mais salas abarrotadas de vestidos, sapatos, perucas e maquiagens, sem nenhum blog de look do dia pra ajudar na inspiração e. obviamente, sem ter o trabalho ela mesma de olhar um por um?


maria antonieta e sidonie, cena de "adeus, minha rainha"

essa eu descobri assistindo ao filme "adeus, minha rainha", de 2012, disponível no amazon prime, com diane kruger no papel de maria antonieta. a protagonista do filme não é a rainha, e sim a criada sidonie laborde, papel de léa seydoux, leitora pessoal de maria antonieta que nutre uma paixão platônica pela patroa e monarca.


é através dos olhos de sidonie que temos acesso à vida em versalhes no início da revolução francesa, em meados de julho de 1789. é também através dos olhos da apaixonada sidonie que conhecemos gabrielle, a duquesa de polignac (virginie ledoyen), melhor amiga e grande paixão da rainha. (*bate os punhos na mesa agressivamente* MAIS FILMES SOBRE LÉSBICAS HISTÓRICAS NA MINHA MESA!!!! IMEDIATAMENTE!!!!!)


gabrielle e maria antonieta, "adeus, minha rainha"

eu não sei se o affair queer da rainha com a duquesa tem embasamento histórico ou é só fanfic, mas o que me impressionou mesmo foi descobrir o DIÁRIO DE LOOKS da mulher. muito antes de instagram, pinterest ou blog de look do dia, a rainha tinha seu próprio livro de roupas, o gazette des atours.


a primeira coisa que ela via ao acordar de manhã, o gazette des atours era um diário e um arquivo de todas as roupas que maria antonieta possuía. cada página tinha amostras dos tecidos que compunham cada roupa, com comentários sobre o tipo de modelo do vestido, detalhes da peça e ocasiões apropriadas para usá-la. a jovem rainha folheava esse caderno e escolhia alguns looks, que suas criadas iam buscar pra ela ver, experimentar e decidir o que ia vestir. era tipo o armário automático de cher horowits em patricinhas de beverly hills, só que operado por humanos.


pra identificar as roupas que queria ver, a rainha pregava alfinetes nas páginas do gazette de atours, que hoje em dia está preservado no arquivo nacional da frança. dizem que ainda dá pra ver os furinhos dos alfinetes nas páginas, e alguns dos alfinetes foram encontrados embaixo das tábuas do assoalho de seu antigo quarto.


a única coisa mais doida que essa foi ver o vestido verde radioativo da duquesa de polignac - que devia ser tingido de verde scheele, também conhecido como verde arsênico. o pigmento era literalmente feito de arsênico, e foi criado em 1775 pelo químico alemão carl wilhem scheele. pelo que eu li, da sua invenção até se tornar popular entre as damas e cavalheiros da corte demorou um pouco, e a cor foi uma mega tendência durante séc XIX na moda e decoração, até ser substituída por alternativas menos tóxicas.

o vestido me chamou a atenção porque o filme se passa em 1789, logo após a criação do pigmento e um pouco antes da cor se tornar popular, mas imagino que se alguém fosse ter acesso a vestidos tingidos de uma cor recém inventada e super exclusiva, seria a melhor amiga de maria antonieta.


(para mais curiosidades nas tendências tóxicas da moda vitoriana, clique aqui)

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