• melody erlea

as camisetas de haruki murakami


acredite se quiser, esse é um post sobre literatura. mais ou menos. feito especialmente pra todas as professoras, amantes de livros e intelectuais que chegaram por aqui recentemente e ainda tão tentando entender o que tão fazendo aqui hhaha :3


essa camiseta aí com piadinha de ketchup é do haruki murakami, um dos meus escritores favoritos. uns anos atrás eu tava bem obcecada por ele e acumulei uma pequena coleção de seus livros - olha aí a foto dos que sobraram aqui comigo, depois que eu fiz uma mega limpa de objetos materiais lá no comecinho de 2017, quando criei esse blog e decidi que não precisava de tanta coisa em casa. sim, eu doei 90% dos meus livros - já falei sobre isso outras vezes por aqui, mas se quiserem em breve falo novamente sobre esse surto de desapego :3


curiosamente, eu sempre imaginei murakami como uma pessoa, dadas as proporções, relativamente minimalista. algo sobre o jeito que ele escreve, os temas que ele propõe e os personagens que ele inventa criaram essa imagem na minha cabeça de um homem que vive do essencial.


qual não foi minha surpresa ao descobrir que o escritor é, na verdade, um acumulador acidental! ele diz, num artigo recente publicado no @thenewyorker, que não sente nenhum prazer em colecionar objetos mas que, apesar de sua indiferença, objetos parecem gostar de colecioná-lo (pohan, véi, só um escritor do nível do murakami pra falar de um jeito tão bonito sobre ser acumulador, né? e isso porque essa já é a minha versão do que ele disse, traduzida por mim do artigo em inglês, que por sua vez já era uma tradução do texto original em japonês. quando uma ideia passa por três idiomas e três pessoas a interpretando e segue linda, é porque a pessoa que a pensou é foda demais. né não?)


uma das coisas que ele acidentalmente começou a acumular são camisetas - ele as ganha de presente, e quando participa de corridas, e quando viaja acaba comprando uma ou outra, e aos poucos sua coleção ficou tão grande que ele nem tem onde armazenar - elas ficam organizadas em caixas.


eu particularmente amei o que o autor diz sobre essa camiseta de elegia ao ketchup: pra ele, a piada, ao mesmo tempo que obviamente tira sarro daquelas pessoas que colocam ketchup em tudo, serve como uma representação de um otimismo tipicamente norte-americano, que em sua falta de introspecção parece dizer "quem se importa com sofisticação?! eu vou fazer o que eu quero! ketchup em tudo!"


essa percepção só aumenta quando murakami usa a camiseta nos estados unidos: pessoas o elogiam na rua, e exclamam pra ele "eu também amo ketchup"! embora o autor não seja pessoalmente tão fã de ketchup assim, ele aprecia que esse tipo de reação só aconteça precisamente em território norte-americano - os europeus, por exemplo, não apenas não dariam corda pra esse humor bobo como talvez nem o compreendessem, já que a maioria deles nem consome ketchup.


essa história da camiseta de ketchup, na tradução em inglês publicada no new yorker, é um dos ensaios do novo livro do autor, "the t-shirts I love", em que ele juntou fotografias de suas amadas camisetas e crônicas, ensaios, anedotas que expressam porque cada uma delas é especial. agora me diz se o sonho da blogueirinha formada em letras e pós graduada em moda e cultura não tá sendo, nesse momento, sendo realizado? quando o nosso escritor de literatura preferido escreve sobre moda, nosso outros assunto preferido, é destino que chama?


a tradução do livro para o inglês já está em pré-venda na amazon, e o lançamento será em novembro.


enquanto o livro não chega, seguem algumas historietas sobre umas poucas camisetas de murakami:


a dos ramones murakami diz ter comprado num brechó em kyoto - mas não tem coragem de usar na rua porque se acha velho demais pra camiseta de banda! alguém manda ele seguir o repete roupa!!!


a vermelha é uma camiseta promocional da revista britânica "the economist" e diz simplesmente: pense com responsabilidade. murakami não sabe reagir frente a ditame tão repentino e desafiador hahaha


a camiseta shelby cobra (um carro, pra quem, como eu, não saberia), de acordo com o escritor, também necessita coragem pra ser vestida - mas ele adiciona que a imagina com uma jaqueta comme des garçons, e eu só digo: SIM!


e, finalmente, a camiseta da heineken, em homenagem à unica cerveja cujo nome murakami sabe pronunciar bem o suficiente pra ser compreendido num bar barulhento norte-americano.

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo