• melody erlea

minha biblioteca minimalista


minha biblioteca minimalista e meu luquinho kitsch

eu sempre fui uma grande leitora. desde criancinha - muito antes de amar roupas, eu já amava livros. até porque roupa é um gosto adquirido, de quando a gente cresce, já que na infância tanto faz como fez a roupa que a gente usa. o que importa são os brinquedos, as experiências, as descobertas. e os livros, no caso de crianças sortudas como eu que nunca desenvolvem aquela defesa contra a leitura que tanta gente parece ter.


eu sempre tava lendo, na infância, na adolescência e no começo da vida adulta (agora já tive minha janela de atenção permanentemente danificaada pelos smartphones e redes sociais e leio em ritmo bem mais lento, mas sigo lendo). meu sonho de princesa da infância era a biblioteca do castelo da fera, e, na adolscência, adicionei o closet gigantesco digno de uma estrela de hollywood na lista de sonhos de consumo. uma biblioteca gigante cheia de livros que eu nunca conseguiria terminar de ler e um armário gigante cheio de roupas que eu nunca conseguiria terminar de usar.


sonhos de grandeza refletidos nos bens de consumo mais fetichistas - e ao mesmo tempo mais acessíveis: roupa e livro.


hoje em dia eu sou conhecida como repete roupa na interwebs, acho que dá pra sacar que o sonho do closet infinito não é mais meu objetivo de vida. ainda assim, roupa segue sendo meu único excesso: tenho uma coleção enxuta, mas variada, cheia de tesouros, e amo todas as peças. ao mesmo tempo, pra alguém que gosta de se dizer participante de um estilo de vida minimalista, tenho bem mais roupa do que eu precisaria ter. mas é meu hobby, é uma coleção pela qual tenho muito carinho, sempre que algo novo entra algo tem que sair e tenho orgulho de, nos últimos quase quatro anos, ter criado um guarda-roupa quase completamente de segunda mão, desatrelado de tendência e 100% representativo do que eu gosto.


mas até chegar nesse ponto teve rehab, teve marie-kondo-this-shit, teve desapegos mil, teve um ano repetindo roupa.... e com os livros foi meio que a mesma coisa. quando comecei o processo de rever meu consumo - e as coisas que eu tinha em casa - os livros também entraram na dança.


eu tinha uma coleção muito amada de uns 200 livros, a maioria já lido, muito ainda não, vários que eu não tinha a intenção de reler e alguns que eu nem sequer gostava tanto mas gaurdava porque era importante ter. sem contar os livros da faculdade (eu fiz letras, isso é o tanto que eu gosto de livros e de ler), os de teoria, depois os da pós. e os que eu uso como professora, livros de inglês, de gramática, de redação, de estudos sociais até de ciências.


livro é uma coisa muito louca porque é tão ostentativo quanto roupa mas jamais visto desse jeito. tinha um meme anos atrás que dizia algo sobre se casar com uma mulher com uma coleção de livros ao invés de uma com uma coleção de sapatos, cês lembram? não sei onde uma coias exclui a outra (vide que meu sonho de menina era ter um closet E uma biblioteca gigantes), mas de qualquer jeito: é louco como consumismo desenfreado de livros é ok.


ostentar intelectualismo, "inteligência", "cultura" é o sonho de todo acumulador de livros - eu inclusa. todo ano vários jovens gastam na casa dos milhares de reais na feira de livros da usp, não porque terão tempo de ler todos os livros mas porque é legal tê-los.


uma biblioteca completa de todos os autores cobiçados não precisa ter sido lida - a ostentação da biblioteca em si já é prova do seu caráter intelectual, que se mostra pelo menos pela sua INTENÇÃO de ler aqueles livros. afinal você se comprometeu ao gastar seu suado dinheirinho - o ato da compra do livro serve como atestado da sua vontade de ler o livro, que por sua vez é evidência do fato de você sequer conhecer tal autor, que denota sua capacidade intelectual. muitas vezes, no caso da biblioteca pessoal, ter é tão bom quanto ler.


igualzinho roupa, gente, ó que loucura? a gente se apega a coisas que não usa porque tê-las parece bom o suficiente, mas esquece que elas ocupam espaço na nossa casa e na nossa mente, denotam limpeza, manutenção, tempo... roupa, livro, qualquer coleção fetichista pra qual a gente FINGE ter uso. atá a manutenção dessa anedota de que "um dia vou usar ess vestido" "ainda vou ler esse livro" exige uma certa energia que pode acabar sendo desgastante.


foi pensando em tudo isso que, ao fazer a grande limpeza minimalista antes de começar meu ano sem consumir supérfluos em 2017, também fiz a rapa nos livros. doei tudo que eu sabia que não ia ler, que já tinha lido e não releria, que odiava, que tinha apenas pra ostentar títulos na minha biblioteca (nessa se foram a maioria dos clássicos, desculpa, calvino, mas depois de ler os clássicos a pergunta que fica é porque RELER os clássicos? não encontrei resposta, se precisar eu vejo o filme).


vale pontuar que 6 meses antes dessa revolução material na minha própria casa eu tinha comprado um kindle, que também foi uma revolução na minha maneira de ler. descobri que eu gosto muito mais de LER do que de TER LIVROS e o kindle me permitiu ter acesso a tanto livro, a tanto autor que eu jamais conheceria, a tanto livro ruim também, mas a tanta coisa legal, livros meio independentes, coisas sendo compartilhadas pela interwebs. em grande parte é pirataria, sim, mas eu gosto tanto dessa democratização do ebook. gosto tanto de ter a chance de conhecer livros e escritores que não chegariam a mim pelos caminhos usuais, pra eu consumir corretamente numa troca monetária capitalista.


(sim, o kindle é caro - mas pra um jovem colecionador de livros, é menos do que se gastaria em um semestre. pra um jovem que já nem acesso a consumir livros tinha, o ebook baixado na internet é facilmente convertido pra pdf e pode ser acessado em qualquer aparelho. a própria amazon permite baixar um aplicativo gratuito de leitura dos ebooks deles, e tem mil promoções de livros gratuitos. eu sei que a amazon é do mal, mas nesse sentido eles estão mandando bem.)


um pedacinho da minha biblioteca de ebooks

eu não quero fazer publi do kindle até porque não sou paga pra isso, mas acho revolucionário mesmo. para além disso, dentro dele não preciso ser minimalista: baixo todos os livros que encontro, todos que parecem interessantes, e deixo guardados. vou lendo aos poucos, conforme meu interesse se desperta.


em casa, fiquei com uma biblioteca minimalista e muito amada: tem os livros que uso pra dar aula, tem relíquias minhas de infância, e tem alguns dos meus preferidos, os que eu não consegui desapegar: uma pequena coleção de livros do neil gaiman, do murakami, da margaret atwood e alguns outros que sigo amando. todo o resto tá no meu kindle: livros que conheci depois e amei, livros que tô acumulando sem ler, livros que li e achei mais ou menos... a mesma coleção que eu costumava ter em formato físico, agora em formato virtual.


talvez eu nem seja minimalista de livros, só troquei a maneira de guardar. de qualquer jeito, pra mim, tem funcionado melhor do que a clássica biblioteca em casa de livros acumulados que juntavam poeira. dentro do kindle não tem poeira, véi, é massa demais.


uns cds, uns livros, umas lembraças e uns mix de estampas

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