• melody erlea

savage streets, exploitation com toque feminista


savage streets, filme de 1985, começa de maneira quase inofensiva: uma comédia oitentistas sobre uma gang de adolescentes arruaceiros vestindo jaquetas de couro, vandalizando as ruas e antagonizando com um grupo de meninas descoladas e maduras da escola. tudo é altamente sexualizado, do bullying e assédio cometido pelos meninos da gang à aula de educação física das meninas.


é um filme de exploitation, então a gente tem as piras masculinas comuns ao gênero: muita nudez, especialmente no vestiário feminino da escola, catfights entre "adolescentes" de corpo escultural e seios siliconados, uma tensão sexual lésbica constante que de queer, óbvio, não tem nada; é fabricada puramente pro olhar masculino. ao mesmo tempo, essa sexualização é tão non-sense no contexto da história que é muito menos ofensiva do que absurda e cômica.

o absurdo e cômico rapidamente dá lugar pros temas pesados e desconfortáveis que o filme vai explorar: a rixa adolescente entre as meninas descoladas e os criminosos juvenis acaba de maneira trágica: brenda, a protagonista (interpretada por linda blair - ela mesma, a do exorcista) descobre que sua irmã, surda e muda, foi violentamente estuprada pelos 4 membros da gang - que também assassinam sua melhor amiga, grávida, às vésperas de se casar.


percebendo que as autoridades, a polícia e a escola não conseguem tomar nenhuma ação efetiva, brenda planeja ela mesma uma caçada urbana - vai atrás dos rapazes que violentaram sua irmã, um a um, numa viagem feminista doida de vingança sanguinária que acaba vingando, metaforicamente, todas as mulheres do mundo.

a partir da segunda metade do filme, parece, também, que há uma retaliação do filme quanto a seu próprio gênero - se a primeira metade foi repleta de corpos femininos nus, objetificados e abusados, a partir do momento em que brenda passa a perseguir e torturar os violentadores, temos gore, sangue, violência gráfica quase cartunesca, direcionada aos corpos dos personagens masculinos.

tudo isso embrulhado com aquela atmosfera deliciosa dos anos 80 - que a gente sente na fotografia do filme, nos diálogos, nas trilha sonora e efeitos especiais, e, claro, nos figurinos. é cada luquinho, É CADA LOOK, SENHORAS E SENHORES, que eu me pergunto como é que durante tanto tempo a gente considerou a década de 1980 um erro fashion. eu, inclusive ouso afirmar que foi a melhor década do século XX pra moda. mas isso é polêmica pra outro post kkkk


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