• melody erlea

sing street: um filme dos anos 80, mas de 2016


eu sei que cês tão acostumados a me ver por aqui me vestindo de desenho animado e falando da britney spears, mas a verdade é que o que eu gosto mesmo, de verdade verdadeira, desde os meus tenros 12 anos, é música triste proveniente de subculturas da juventude proletária do reino unido nas décadas de 70, 80 e 90. rock triste da grã-bretanha, sotaques carregados, baixos sombrios e teclados futuristas.


do punk ao britpop, de manchester a dublin, eu daria um rim pra ter nascido por lá, ter crescido respirando aquele ar histórico, andando naquelas ruas histórias, esbarrando em ruínas históricas e ouvindo música boa em toda esquina.


sing street, filme de 2016, se passa precisamente no ponto central dessas 3 décadas, em 1985. eu recebi essa recomendação de uma seguidora (infelizmente perdi o @ dela nas mensagens), e pohannnn, da primeira cena à última, o filme é 100% feito de tudo que eu amo.



é o equilíbrio ideal da melancolia irlandesa com a doçura da adolescência e suas descobertas: música, amizade, amor, autoridade e religião são alguns dos temas apresentados, sempre por essa perspectiva quase ingênua da vida adolescente nos anos 80 numa cidade que parece ter sido esquecida por deus.


encantador e repleto dessa atmosfera industrial-decadente britânica, o filme tem como protagonista conor, nome artístico cosmo, cujos pais de classe média, com mais dois filhos além dele, numa irlanda devastada por problemas políticos/religiosos e instabilidade econômica, precisam tirar o filho da escola particular pra economizar dinheiro.


conor passa a estudar numa escola pública e católica irlandesa, comandada por padres extremamente rígidos que seguem à risca um manual de regras obsoleto de centenas de páginas. em meio a essa inédita forma de autoridade, bullying, problemas familiares e o conexto social irlandês também exercendo sua força, conor conhece raphina, uma adolescente cujo sonho é ser modelo e que o impulsiona a, pouco a pouco, se tornar cosmo: o vocalista e letrista da banda sing street, que ele forma com um grupo de garotos da escola.



sob o olhar de seu irmão mais velho, um maconheiro fascinado por música, conor desenvolve suas personas visuais coforme é apresentado à música pop britânica. começando no pop do duran duran, passando pelo goticismo do cure e pelo new wave de joe jackson e robin scott, cosmo e sua banda homenageiam diversas fases do rock oitentista da ilha da rainha, visualmente e sonoramente.


os luquinhos são DE MORRER. além dos diferentes visus da banda, que são apaixonantes, raphina também manda benzáço numa estética 80s-deprê maravilhosa, com cores frias, texturas mil e muitos balangandãs que fazem plinplinplinplin quando ela anda e gesticula.



para além da trilha sonora original, composta para a banda de cosmo e seus amigos, o filme conta com the jam, hall & oates, motorhead e altas maravilhas sonoras, completando a aura musical e embalando essa fábula sobre adolescência e auto-descoberta.



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