• melody erlea

a corrente do bem de evan dando e courtney love



não é a primeira vez que apareço por aqui pra falar de evan dando, um dos meus poster boys preferidos do grunge, atrás apenas de mark lanegan (que tava muito longe de ser um poster boy de qualquer coisa). considerado meio que a versão doce e limpinha de kurt cobain (embora ele fosse tão porra louca e problemático quanto seu colega), evan dando acabou se esquivando do sucesso mainstream - o que, a longo termo, acabou sendo um bom caminho.



evan não é muito de aparecer, tendo se tornado uma figura meio misteriosa dos longínquos anos 90 - mas desde a pandemia ele vem, pouco a pouco, dando as caras, aparecendo por aí, dando entrevistas... pouco mais de uma semana atrás vi esse vídeo de um show recente dos lemonheads em que a courtney love entrou pra tocar uma música.... e, porra, não consigo parar de pensar nisso.


courtney love sempre foi muito próxima de evan dando, e lá no ápice das loucuras alucinadas regadas à crack e heroína de todos eles, inclusive kurt cobain, ela acabou contribuindo pra uma certa rivalidade midiática entre os dois.


por isso achei esse vídeo extra emocionante: antes de tocar ela diz que evan sempre foi uma constante na vida dela, um homem sem um único pingo de maldade em seu corpo, que esteve ao seu lado nos momentos mais pesados e complicados. e antes de tocarem into your arms, canção do disco come on feel the lemonheads, de 1993, courtney explica, emocionada que ao fim dos shows de sua banda hole, que eram uma catarse de sangue e vômito, para recuperar sua sanidade, era essa música que ela tocava. e com a voz tremendo, elas segura a guitarra que ela acreditava nunca mais conseguir tocar.


courtney love ainda é uma figura muito complexa na minha cabeça, e acho que finalmente vou abrir e começar uma biografia dela que peguei emprestada há anos mas nunca li. mas uma chave definitivamente virou na minha cabeça - sobre quem essa mulher foi, e é, sobre os retratos sempre injustos e distorcidos das figuras femininas no rock - quando li a autobiografia de mark lanegan e descobri que foi ela, por pura vontade de fazer o bem, que o ajudou a se livrar do vício em heroína, ao pagar pela sua rehabilitação - e insistir que ele se internasse.


e esse vídeo da courtney no show do lemonheads me faz pensar muito no conceito de "pay it forward" e como ele funciona de maneiras misteriosas: ser bom pra alguém, sem ter nem ideia de que isso será pago mais pra frente, para outra pessoa completamente. e como evan dando jamais imaginaria que, ao ser esse pilar de amizade e suporte para courtney, ele estaria, também, salvando mark lanegan.


assistir courtney chorando, em 2022, num palco do leomonheads, só reafirma minha crença na inevitabilidade das coisas: quem tem que se encontrar vai, com certeza, se encontrar.

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